Coluna: O Pragmatismo que Nos Falta e o Buraco da Ideologia
Existe uma lição básica na diplomacia econômica global que o Brasil insiste em ignorar: o pragmatismo sempre vence a retórica. Quando o calo aperta, governos inteligentes deixam o orgulho de lado e buscam salvaguardar seus mercados. Infelizmente, a história recente da nossa política externa mostra que preferimos o isolamento barulhento ao resultado prático.
O exemplo do Japão é pedagógico. Ao enfrentar a ameaça de tarifas pesadas por parte dos Estados Unidos, Tóquio não vestiu a armadura da indignação nacionalista desmedida. Foi à mesa, negociou com o maior mercado do mundo e costurou um acordo estratégico. Protegeu suas empresas, garantiu seus fluxos e seguiu em frente.
Enquanto isso, a diplomacia brasileira escolheu a rota do confronto. Em vez de focar no que realmente sustenta a economia nacional — o comércio e a atração de capital —, o país optou por buscar uma saída puramente ideológica, apostando todas as suas fichas no bloco do BRICS como uma espécie de "tábua de salvação" geopolítica.
Mas a realidade do poder econômico é implacável e não aceita desaforo.
[ OPÇÃO DIPLOMÁTICA ]
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[ ROTA DO JAPÃO ] [ ROTA DO BRASIL ]
Pragmatismo Comercial Confronto Ideológico
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Acordo com os EUA Foco exclusivo no BRICS
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Mercados Protegidos Isolamento e Recuo do Mercado
O erro de cálculo ficou evidente quando o mercado cobrou a conta. Os principais atores do BRICS, movidos por seus próprios interesses soberanos, não hesitaram em recuar quando a corda esticou. O Brasil, contudo, permaneceu isolado no palco, insistindo em palanque político e tentando socorrer regimes desgastados e vizinhos problemáticos, como as ditaduras de Nicolás Maduro e Gustavo Petro.
O resultado dessa teimosia é o pior possível: a humilhação do recuo. Com o cerco dos grandes mercados internacionais se fechando e o isolamento cobrando seu preço em investimentos e credibilidade, o governo se vê obrigado a fazer o movimento inverso. De forma quase desesperada, recorre agora ao mesmo Japão — que antes soube jogar o jogo — em busca de oxigênio e apoio econômico.
A moral da história é clara e urgente. Se o Brasil não parar de brincar de geopolítica de botequim e não fizer o seu dever de casa básico — que envolve responsabilidade fiscal, reformas estruturais e uma diplomacia focada em comércio, não em ideologia —, o veredicto do mercado será implacável. O risco real não é apenas uma crise passageira, mas sim empurrar o país para um buraco econômico e institucional absolutamente insaível.
Destaque da Semana
"Grandes potências não têm amigos permanentes, têm interesses permanentes. Enquanto o Brasil insistir em escolher aliados pelo alinhamento ideológico e não pelo saldo comercial, continuará sendo o país do futuro que nunca chega."