quarta-feira, 17 de junho de 2026

2026-041 MASTER: ANDRÉ MENDONÇA DÁ RESPOSTA DURÍSSIMA A GILMAR MENDES APÓS INDIRETA 96fmnatalrn 96fmnatalrn

 



Primeiro dizer que nós não estamos aqui a julgar Lava-Jato.

Não vou avaliar Lava-Jato, não é o objeto do julgamento.

Nós estamos aqui a julgar a maior fraude financeira da história do nosso país,

e se a maior, certamente uma das maiores do mundo, da história.

E essa fraude tem algumas peculiaridades.

Não é simplesmente um crime do colarinho branco.

É mais do que isso. Não são simplesmente atores num gabinete na Fareia Lima, nos palácios que praticaram fraudes e crimes de corrupção, de lavagem de dinheiro,

de prejuízos ao sistema financeiro nacional.

de dilapidação de um fundo garantidor das poupanças do nosso país.

Não, aqui há contornos de máfia,

há contornos de crime organizado, mafioso,

de fuzis, de metralhadoras, de armas raspadas, de infiltração no sistema policial.

Por isso, eu quero de antemão agradecer por esse julgamento presencial

que me permite pôr as claras algumas coisas que não estão tão claras, que questões até ocultas.

E é interessante porque eu me recordo de uma conversa, ministro Gilmar, com Vossa Excelência, assim que para ser indicado pro Supremo.

Vossa Excelência apontou que para ser ministro do Supremo é preciso ter coragem.

E me lembro do que lhe respondi a ocasião. Não tenho medo da morte.

Quanto mais de ser ministro de um tribunal.

Não tenho medo de combater o crime aplicando a lei.

Não tenho medo de absolver quem é inocente.

Não ajo por pressões de mídia e nem busco a mídia. Aliás, a mídia às vezes me critica porque de certa forma eu não sou tão acessível.

Não tenho grupos de mídia, não dou interviews,

not busco a ser estrela, sou um servidor público e com muito orgulho sirvo à justiça

há mais de 20 anos, há 25 anos na AGU e no Supremo.

E minha única pretensão aqui é aplicar a lei.

Vossa Excelência tem razão, não se prende paraação.

Seria abjeto fazer isso e eu não me presto a trabalhos objetos.

se prende, se está praticando crime, se está obstruindo a justiça, se está tentando ocultar provas, se há uma

continuidade delitiva. Para isso se prende.

Eu levei 4 anos no Supremo para decretar a primeira prisão.

Não tenho prazer em prisão, ao contrário, tenho pesar.

É difícil decretar uma prisão para quem quer o bem do ser humano, para quem ainda acredita no ser humano,

porque de certa forma é uma falência da humanidade em casos específicos,

mas esse caso se reveste de singularidades.

E eu queria apontar algumas singularidades antes de adentrar em questões específicas sobre possíveis vazamentos.

Nos meus altos todo o vazamento é apurado.

Já teve policial federal afastado por vazamento.

Aliás, segundo me disseram, não sei se é verdade, caso inédito de apuração com resultado.

Ao mesmo tempo, quando havia risco de vazamento na CPI, eu imediatamente mandei devolver o material pra Polícia Federal para evitar vazamentos sobre transferências de preso.

Eu me lembro, foi um choque para todos nós, a morte do senhor Felipe Mourão, conhecido como sicário.

Me custou acreditar que fosse um suicídio.

Infelizmente eu tive que ver a cena, uma cena dura, Dra. Cláudia, ver um ser humano tirando a própria vida.

Lamentável. Mandamos investigar, ministro Câncer, com a suspeita de que pudesse ter sido

uma queima de arquivo, alguma coisa do tipo, mas todos os indicativos até agora da Polícia Federal indicam que não foi isso, que foi um ato voluntário dele.

razões nós não sabemos ao certo, mas não há um elemento de instigação que tenha sido verificado para a prática de um ato atentatório contra a própria vida.

Naquele momento a Polícia Federal muito preocupada entra em contato com o meu gabinete, comigo.

Como nós não sabíamos, o que se sabia, ministro Cáo, é que havia envolvimento de um crime organizado pesado,

uma turma com sicário, com policiais federais infiltrados na organização criminosa, com um grupo de hackers, ainda todos desconhecidos.

Era com a com o risco da integridade física de Dani Elvor, cara.

E num ato momentâneo, a Polícia Federal pede para que ele vá para um presídio federal, porque não se sabia a penetração desse crime organizado todo.

Às vezes é uma comida envenenada, às vezes é uma água e se apaga uma pessoa ou se apaga um arquivo.

Tomei a decisão única e exclusivamente para preservá-lo naquele momento. Uma decisão dura mandar pro presídio federal.

Tomo a decisão, chamo os advogados e digo o seguinte pros advogados.

Diante do quadro atual, se os senhores têm segurança da integridade física do cliente, dos senhores em um outro local, eu transfiro.

Os próprios advogados, nós não temos também, ministro.

Então, assim que nós tivermos melhor esclarecimento das coisas, na primeira oportunidade eu devolvo ele para um sistema menos rígido.

Foi por isso que ele foi para lá, ministro Gilmar, para preservar uma vida humana, por mais duro que fosse, não foi por outra razão.

e tive a deferência com a defesa de expor isso, mas nem a defesa se sentiu tranquila de que em outro local o cliente deles estivesse seguro.

Sobre os documentos que chegaram há pouco, estavam em outra pet, agora foram juntados há 10 dias atrás.

Eu mesmo não tinha me detido sobre eles.

Agora eu fiquei sabendo hoje por volta de 9, 10 da manhã do processo. Imediatamente eu dei ciência a todos.

Não sabia. Essa foi a única e exclusiva razão.

Agora é verdade, nós votamos pra história.

Quem é a turma? página 5 da representação da Polícia Federal, liderada por Daniel Vorcaro, tinha um sicário, alguns policiais federais, nem todos descobertos ainda. Ainda se investiga outros policiais federais.

Havia um nessa turma empresários do jogo do bicho.

Era uma mistura de milícia da Polícia Federal, dentro da Polícia Federal com um crime organizado no Rio de Janeiro.

Há uma série de figurinhas desconhecidas aqui.

Não sei, talvez seja muito simples hoje acabar com a investigação.

Basta alguns desses desconhecidos, talvez atentar contra a integridade física do relator.

É disso que nós estamos tratando. Eu não sei.

Eu sei que hoje para parar do jeito que tá, polo mais frágil sou eu.

Mas como eu disse, é preciso ter coragem.

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